Meu Sol Particular

Fotografei o sol partindo do paradoxo em que a luz que me permite enxergar, em algumas situações também me priva esta função, pois tenho grau alto de astigmatismo acompanhado de miopia e isso faz com que eu necessite de uma lente para adaptar os meus olhos a essa luz.
Há muitos anos acreditava-se que apenas os olhos eram necessários para enxergar; por muito tempo acreditou-se que os olhos projetariam raios sobre o objeto, e este mandaria de volta aos olhos. Esse conceito decorre da mitologia grega que acreditava que os olhos tinham sido feitos pela deusa Afrodite, que acrescentou o fogo na sua composição. Foi então que há mais ou menos 1000 anos atrás, o cientista árabe conhecido como Alhazen, surgiu com a explicação sobre o mecanismo da visão: Para enxergar, além dos olhos é necessário também a luz. A ideia para fotografar o sol surgiu inesperadamente, quando ao chegar na janela na tentativa de ver quem estaria me chamando, não enxerguei absolutamente nada, pois além de estar sem óculos, o sol estava literalmente, evadindo a sala, foi então que comecei a fotografar em vários ângulos e diferentes direções. Fotografava tanto expondo a câmera para fora da janela como também, aproveitava a sua sobra que já havia memorizado. Após essa experiência em que a luz do sol impedia a minha visão, passei a fotografar na mesma direção, porém com a lente coberta por um pedaço de papel crepom em diferentes cores. Algumas estavam com a lente totalmente coberta, outras deixei propositalmente um pequeno espaço descoberto o que surtiu efeitos distintos entre a imagem captada dos mesmos elementos. Diferentemente do pensamento de Cao Guimarães, quando ele diz que a água agia como elemento suavizador para os seus choques, a imagem que registrei do meu sol agiu como elemento provocador de lembranças felizes, promovidas pela imponência da sua luz, as nove horas e trinta minutos da manhã de sábado, que ocupava minha sala. Quando, Flusser diz que “imagens são superfícies que pretendem representar algo. Na maioria dos casos, algo que se encontra lá fora no espaço e no tempo” sua afirmativa corrobora com as emoções, sensações e sentimentos que revivi olhando para a imagem do meu sol particular, e estas foram refletidas com maior intensidade na imagem acima escolhida.

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